fábula da morte à beira-rio
e se eu morrer à beira-rio embrulha o meu corpo num tronco de árvore
e deita-o na água e deixa-o flutuar e despede-te e deixa-me partir assim
e não chores triste e fica apenas a ver se a corrente me leva tejo abaixo
e segue-me pela margem e vais ver que é fácil e que a foz está ali perto
e já só tens de fazer mais esse esforço de tentar distinguir-me ao longe
e então se observares bem vais ver uma caravela sem mastro nem vela
e acredita que vou dar a volta ao mundo e me lembrarei sempre de ti
e que os mares são só sete e que talvez um dia quem sabe até regresse
trezentos e sessenta e cinco textos e trezentos e sessenta e cinco dias depois,
fim
