textos, reflexões, poemas, fragmentos: fábulas incompletas

20 Abril 2010










fábulas alheias







Há uma mulher a morrer sentada
Uma planta depois de muito tempo
Dorme sossegadamente
Como cisne que se prepara
Para cantar


Ela está sentada à janela. Sei que nunca
Mais se levantará para abri-la
Porque está sentada do lado de fora
E nenhum de nós pode trazê-la para dentro


Ela é tão bonita ao relento
Inesgotável


É tão leve como um cisne em pensamento
E está sobre as águas
É um nenúfar, é um fluir já anterior
Ao tempo


Sei que não posso chamá-la das margens






Daniel Faria
in Dos Líquidos







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não sou um livro aberto mas faltam-me sempre páginas. escrevo quando posso e, de certo modo, posso quando escrevo.